RH e Benefícios

Saúde Financeira: Por Que a Liderança Média Sabota o Programa

Depois de acompanhar dezenas de implantações corporativas de saúde financeira, percebi que o maior obstáculo raramente está no board ou nos colaboradores.

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Na semana passada, um CHRO de uma empresa com cerca de 400 funcionários me disse algo que ficou na minha cabeça: "Augusto, a diretoria aprovou, o RH implementou, a plataforma está ativa. Mas os colaboradores simplesmente não aparecem nas sessões. Ninguém engaja." Quando perguntei como os gestores de área estavam comunicando o programa para os times, ele ficou em silêncio por alguns segundos. "Eles sabem que o programa existe", respondeu, com aquela entonação de quem já percebeu o problema no meio da resposta.

Esse silêncio me diz tudo. E não é a primeira vez que ouço isso.

Resposta direta: O programa de saúde financeira falha no engajamento quando a liderança média não é preparada para ser embaixadora ativa. Gestores de linha que não entendem o propósito do programa, que têm medo de parecer invasivos ao falar de finanças com o time, ou que simplesmente não foram treinados para isso, criam um vácuo que nenhuma comunicação de RH consegue preencher. Sem o gestor como ponte, o programa vira mais um e-mail ignorado na caixa de entrada.

Por que o gestor de linha é o elo mais crítico do programa?

Tem uma lógica simples que o RH às vezes subestima: o colaborador não tem uma relação de confiança diária com a área de Recursos Humanos. Ele tem com o seu gestor imediato. É esse gestor quem define se a reunião de segunda vai mencionar o programa de saúde financeira ou não. É ele quem libera o colaborador para participar de uma sessão no meio do expediente, ou que, com um simples "temos entregas para fazer", esvazia a sala antes mesmo de começar.

Imagine tentar vender um produto novo direto para o consumidor final, sem passar pelo vendedor que tem o relacionamento com esse consumidor. Você pode ter o melhor produto do mercado, a melhor campanha, a melhor plataforma. Se o vendedor não acreditar no produto ou não souber apresentá-lo, a venda não acontece. O gestor de linha é esse vendedor dentro da empresa.

O gestor não é inimigo: ele está sem ferramentas

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