RH e Benefícios
Por que Medir ROI de Saúde Financeira Ainda é um Erro Estratégico
Depois de anos implementando programas corporativos, percebi que a obsessão por ROI quantificável está fazendo líderes de RH perderem o verdadeiro valor da saúd
Por que Medir ROI de Saúde Financeira Ainda é um Erro Estratégico
Na última semana, durante uma apresentação para um CHRO de uma multinacional com mais de 3.000 funcionários, ouvi a pergunta que já escutei centenas de vezes: "Augusto, qual é o ROI exato que posso esperar do programa de saúde financeira?"
Minha resposta o surpreendeu: "Você está fazendo a pergunta errada."
Essa conversa cristalizou algo que venho observando há anos na implementação de programas corporativos. A maioria dos líderes de RH está tão focada em justificar investimentos através de métricas tradicionais que está perdendo o verdadeiro potencial transformador da saúde financeira organizacional.
O Vício em Números que Cega a Estratégia
Quando fundei a Dinbora, eu mesmo caí nessa armadilha. Passava horas criando planilhas que correlacionavam redução de absenteísmo com economia em folha de pagamento. Calculava quanto cada ponto percentual de diminuição no turnover representava em economia de recrutamento e treinamento.
O problema? Estava medindo o dedo em vez de olhar para a lua.
Tenho observado que empresas obcecadas por ROI imediato de saúde financeira cometem três erros fundamentais que comprometem toda a estratégia:
Erro 1: Confundem Sintoma com Causa
Vi uma empresa de logística no interior de São Paulo implementar um programa focado exclusivamente em reduzir absenteísmo por estresse financeiro. Mediam religiosamente cada falta, cada licença médica relacionada a ansiedade.
Após seis meses, conseguiram uma redução modesta no absenteísmo. Comemoraram o "ROI positivo". Mas continuaram com alta rotatividade, baixo engajamento e um clima organizacional tóxico.
O que não perceberam? Absenteísmo era apenas o sintoma visível. A causa real era uma cultura que não oferecia segurança psicológica para que colaboradores compartilhassem suas dificuldades financeiras.
Erro 2: Usam Métricas de Curto Prazo para Fenômenos de Longo Prazo
Saúde financeira não é remédio para dor de cabeça